O celular começou a tocar.
Caramba, quem está me ligando de madrugada? Que saco, isso. Nem dormindo tenho descanso? Tenho prova de química amanhã e tenho que dormir!
Sentei na cama e peguei o celular. MEU DEUS! É ele.
Atendi.
- Oi, amor. - disse ele.
- Oii, como você tá?
- Vai para a varanda.
- Quê?
Enquanto isso, percebi que meus pais ainda estavam acordados e estavam prestes a abrir a porta do meu quarto.
- Vai para a varanda.
- Tá, já vou, mas por quê?
Ele desligou.
Quando abri a porta do quarto, meus pais estavam rindo escutando a conversa. Não entendi. O que estava acontecendo? Fred me ligando às 2:00h da manhã me pedindo para ir à varanda e meus pais acordados rindo do que haviam escutado.
Abri a porta e vi que tinha um carro estacionado em frente à casa. E tinha um rapaz em pé debruçado no carro e me olhando.
- MEU DEUS! - Gritei! - O que você tá fazendo aqui?
Ele riu.
- Desce. - disse ele.
Meus pais estavam logo atrás de mim olhando a cena e rindo da minha reação.
Fui no meu quarto, peguei as chaves em cima do criado-mudo e desci as escadas correndo, atropelando tudo que via pela frente. Abri a porta, meu cachorro estava alí abanando o rabo, parece que até ele já sabia da surpresa. Desci as escadas novamente e abri o portão.
Ele estava lindo, como sempre. Abracei-o e nos beijamos. Então eu percebi como eu sentia falta dele... Do cheiro, sorriso, do abraço, de tudo que vinha dele.
- Você pensou que eu iria embora sem me despedir?
- Ai, meu Deus, eu não acredito que você ainda está aqui no Rio! Você me enganou, seu bobo! Ai, como eu te amo!
Ele riu e do mesmo modo parecia contente ao me ver, mas seus olhos estavam cheios de lágrimas, sabia que também estava sofrendo por ter que partir.
- Eu te amo muito e jamais partiria sem te ver. Sentirei sua falta, mais do que imagina. Sinto muito por algumas vezes ter te decepcionado, não foi minha intenção e você sabe disso. Obrigado por tudo. Te amo demais.
Eu estava chorando e ele realmente tinha que partir. A mãe dele, Vitória, iria precisar dele e ele não poderia ficar longe dela.
- Ah, que isso. Obrigada por tudo. Sempre que precisar de alguma coisa pode contar comigo e você sabe disso. Sua mãe vai precisar muito de você e não se esqueça que você tem um pai aqui que te ama. E por favor, lembre-se de mim porque eu amo você.
E então ele me beijou. Tenho certeza que este beijo foi de despedida. Vou sentir muita falta dele, não sabemos se vão ser só 6 meses longe um do outro ou anos.
Nos abraçamos e nos beijamos novamente. Os pais dele dentro do carro olharam para nós com o coração partido, acho que estariam se imaginando no nosso lugar quando eram adolescentes. Fui falar com eles.
- Oi, Vitória. Oi, Antônio.
- Oi, florzinha. - disse ela. Desculpa por fazê-la sofrer. Eu realmente tenho que partir, minha mãe precisa de mim e vou precisar do meu filho ao meu lado.
- Oh, eu entendo. Vai dar tudo certo, ela vai ficar bem. Tenha fé.
- Ela me disse que quer te conhecer um dia. Eu, sinceramente gostaria que você fosse conosco, mas não seria bom você vê-la no estado que ela está. Fred um dia me disse que você já passou por isso uma vez e não quero que a veja.
- Ah, sim, mas ela vai melhorar e ela vai me conhecer ainda, se Deus quiser!
Ela me abraçou. Coitada, desejo que ela tenha muita força para aguentar isso tudo.
- Oh, Paulzinha. - disse Antônio.
- Olá! - Ri.
- Olha, fique bem, tá? Vocês se amam e não vai ser a distância que vai acabar com tudo. Nossos amores vão embora, daí depois choramos um no ombro do outro. - Disse isso de brincadeira, mas tenho certeza de que também vai sentir muita falta da esposa. - Se precisar de alguma coisa você sabe que pode falar comigo e vê se passa lá de vez em quando para tocarmos um pouquinho e ouvirmos Beatles.
- Ah, pode deixar! E vou lá para irmos visitar Ana, também.
- Sim, claro.
E então Fred volta, pois ele estava se despedindo dos meus pais, logo olha nos meus olhos.
- Espere por mim. - disse ele.
Me abraçou e sussurrou.
- "Closer, let me whisper in your ear, say the words you long to hear, I'm in love with you."
- Ai, Fred, eu também te amo muito e vou esperar por você o tempo que for necessário.
- Eu vou voltar. Desculpe, está na hora, tenho que ir. - Beijou-me nos lábios e me deu o último abraço.
- Escreve pra mim logo quando chegar.
- Escrevo e te conto tudo.
- Vou estar aqui esperando.
Assim, entrou no carro e partiu.
- Amo você. - sussurrei.